Simpósio Arqueologia Portuária

Sines

Simpósio de Arqueologia Portuária

"Um Mergulho na História" é um projeto da Direção Geral do Património Cultural, financiado pelo Orçamento Participativo de Portugal. O projeto tem como objetivo a caracterização do património cultural náutico e subaquático do Alentejo Litoral e criar conteúdos em formato digital, para efeitos de comunicação pública da investigação. O projeto visa igualmente a promoção do envolvimento das populações locais na temática da arqueologia náutica e subaquática enquanto valor cultural.

PROGRAMA

Dia 25 de novembro

9h - Sessão de abertura pelo Presidente da Câmara Municipal de Sines, Dr. Nuno Mascarenhas e Coordenador do projeto Um mergulho na História Filipe Vieira de Castro.

9h20 - "O porto de Sines, entre a Regeneração liberal e o "Complexo portuário-industrial" (1851-1968)" por António Martins Quaresma

9:50h - "Um Mergulho na História em Sines: os trabalhos arqueológicos subaquáticos de 2022" por Sónia Bombico (CIDEHUS - Universidade de Évora)

10h10 - 10h30 Coffee break e networking

11h20 - 12h "Arqueología portuaria en Galicia: Experiencias y agenda de trabajo" por David Fernández Abella (Diretor Argos S.A.S)

12h00 - 12h40 - "Harbour archaeology from a nautical and underwater archaeology perspective, the case of Algeciras Bay and Cartagena (Spain)" por Felipe Cerezo (transmissão online)

12h40-14h30 Pausa para almoço (livre)

14h30 - "O galeão do Ribadeo: um naufrágio descoberto durante as dragagens do rio Eo" por Miguel Martins e Filipe Castro (Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra)

14h55 - "Puteoli e a Ripa Puteolana. Novas pesquisas para o conhecimento, gestão e valorização do porto comercial de Roma na Campânia" por Michelle Stefaneli (University of Naples Federico I) (transmissão online)

15h30 - 15h50"Podemos viajar no tempo? A reconstituição virtual do porto romano do Complexo Industrial de Troia" por Adolfo Martins e Ana Patrícia Magalhães

15h50 - 16h30 -"Água & Sal, considerações sobre a preservação do património arqueológico subaquático" por Andreia Romão (Neptune Search)

16h30 - 17h - Coffee break e networking

17h - Saída para visita ao Castelo de Sines


Dia 26 de novembro

9h - "Angra do Heroísmo - a autópsia de um porto atlântico através dos seus naufrágios" por Alexandre Monteiro (Universidade Nova de Lisboa)

9:30h - "Submerged Harbours and Maritime Landscape of Liman Tepe / Klazomenai, İzmir - Türkiye" por Vasif Sahoglu (Universidade de Ankara)

10h10 - 10h30 Coffee break e networking

10h50 - 11h30 "Reflections on results, methodology, challenges and small victories after two decades of extensive harbour excavations in Oslo harbour, Norway" por Hilde Vangstad (Museu Marítimo de Oslo)

11h30 - 12h10 "O uso do espaço aquático nos portos insulares ingleses e portugueses do Atlântico Moderno: Uma abordagem comparada" por Ana Catarina Garcia (CHAM - Universidade NOVA) (transmissão online)

12h10 - Pausa para almoço (livre)

14h00 - 14h40 "Mare Liberum. Subsídios arqueológicos para a história dos portos no arquipélago dos Açores." por Pedro Parreira (Coordenador do Centro do Património Móvel e Imaterial e Arqueológico da Direção Regional dos Assuntos Culturais). (transmissão online)

14h40 - 15h20 "Sesimbra, um porto marítimo com cinco milénios de história: Arqueologia, Património e Comunidade" por Andreia Conceição (Câmara Municipal de Sesimbra)

15h20 -Conclusões & encerramento do Simpósio

Visita ao Cemitério dos Mouros e ao Forte de Porto Covo (atualização - por dificuldades técnicas e logísticas não estará disponível o transporte gratuito).


*Os horários dispostos e a ordem das palestras estão sujeitas a alterações.

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Modalidades de participação:

- Presencialmente no Centro de Artes de Sines, 

- Via streaming (com recurso a um computador ou dispositivo móvel - virtualmente sem limite)

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Serão entregues diplomas de participação a todos os que assistirem presencialmente ao workshop.

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A captação de imagem para possível partilha nas redes sociais e meios de comunicação do projeto (newsletter e eventos) será realizada no decorrer do evento.


Comunicações

Orador: Pedro Parreira
Título: Mare Liberum. Subsídios arqueológicos para a história dos portos no arquipélago dos Açores
Resumo: O património cultural subaquático dos Açores tem vindo, ao longo das últimas décadas, a receber um maior destaque, ao nível regional, nacional e internacional, porquanto o arquipélago engloba um dos maiores potenciais, nesse sentido, ao nível mundial. Entre o combate à caça ao tesouro e a gestão das boas-práticas sustentáveis para o seu usufruto, enquanto produto de excelência cultural, os desafios que são traçados em seu redor multiplicam-se, obrigando a novas visões e estratégias, que desenvolvem novos caminhos para o seu futuro. A questão que se aborda, presentemente, prende-se com a forma e o processo de gestão dos trabalhos relacionados com esse património, com a arqueologia subaquática e com as áreas portuárias, que se multiplicam por nove ilhas e nove realidades. Procuraremos demonstrar a estratégia em curso e a sua adequada eficácia.
Afiliação e contacto: Governo Regional dos Açores Pedro.TC.Parreira@azores.gov.pt


Orador: Alexandre Monteiro
Título: "Angra do Heroísmo - a autópsia de um porto atlântico através dos seus naufrágios"
Resumo: Situada no regime de confluência dos ventos do Atlântico norte, a ilha Terceira desempenhou um papel fulcral no apoio à navegação da torna-viagem, naquele que era o último porto antes de se avistarem as costas da Europa.Contando com mais de 100 naufrágios documentados, a pequena baía de Angra do Heroísmo é um autêntico repositório dos últimos 400 anos da navegação europeia e norte-americana no meio do oceano.
Afiliação e contacto: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade NOVA de Lisboa | almonteiro@fcsh.unl.pt


Orador: Hilde Vangstad
Título: "Reflections on results, methodology, challenges and small victories after two decades of extensive harbour excavations in Oslo harbour, Norway"
Resumo: During the last two decades more than 50 ship- and boat wrecks and numerous harbour constructions from late medieval and early modern times have been unearthed during excavations in Oslo harbour. This paper will present some of the results from the excavations and discuss methods used, and the problems and possibilities the Norwegian Maritime Museum encounters when the dimensions of the excavations and finds of numerous wrecks and artifacts have moved from large-scale to giga-scale. How do we cope with the volume of material remains in need of preservation and long term storage and make sure we make the right priorities when time and finances are limited? How can we save these outstanding finds from the sad destiny of ending up as "grey material" - hidden and inactive because of the unmanageable volume of the remains?
Afiliação e contacto: Museu Marítimo de Oslo | hilde.vangstad@marmuseum.no


Orador: David Fernandez Abella
Título: Arqueología portuaria en Galicia: Experiencias y agenda de trabajo.
Resumo: La actividad arqueológica en Galicia tiene en la arqueología subacuática uno de sus grandes retos. El patrimonio cultural subacuático de Galicia tiene un desarrollo corto e irregular, movido a veces por una necesidad de dar solución a problemáticas surgidas por actividades profesionales o recreativas, sobre todo en el ámbito costero. A través de varios ejemplos regionales veremos problemáticas y posibles opciones de mejora de gestión y protección de su Patrimonio cultural subacuático.
Afiliação e contacto: Diretor da empresa de arqueologia Argos S.A.S | daferabe@gmail.com


Orador: Ana Catarina Garcia
Título: "O uso do espaço aquático nos portos insulares ingleses e portugueses do Atlântico Moderno: Uma abordagem comparada"
Resumo: Com as primeiras viagens exploratórias no Atlântico, o mar transformou-se numa nova fronteira a ultrapassar num espaço que se foi dominando, onde as ilhas e os seus portos desempenharam um papel vital. Centrado em três casos do contexto imperial português, Angra, Funchal e Ribeira Grande e dois do contexto imperial inglês, Bridgetown e Porto Royal que se localizam em dois grandes grupos insulares do Atlântico, o da Macaronésia e o das Caraíbas, pretende-se apresentar um estudo comparativo sobre a utilização do espaço aquático de cada porto insular e de como estes foram evoluindo.

O funcionamento dos portos insulares foi-se ajustando às baías disponíveis e à geografia existente. Na tentativa de compromisso entre o melhor lugar para as operações náuticas e o melhor local para iniciar o povoamento, nem sempre se conseguiam reunir as condições ideais, mas antes as condições possíveis. Por vezes as baías eram boas para a função portuária, mas difíceis de urbanizar ou defender, obrigando ao acerto das estruturas em função das características da paisagem, num processo que se prolongou ao longo dos séculos XVI-XVIII. A ausência de estuários protegidos fez com que estes portos atlânticos estivessem mais vulneráveis aos fenómenos naturais que podiam surgir, como as tempestades, sendo o quadrante Sul, em todos os casos, o mais vulnerável. Foi assim essencial começar por conhecer a tipologia dos fundos, através de levantamentos batimétricos que recolhessem informação sobre as baías. Paralelamente, conhecer a tipologia dos fundos foi essencial para definir as zonas de ancoradouro ao mesmo tempo que em terra se definiam zonas de embarque e desembarque, se edificaram cais quando possível ou se criavam sistemas adaptados para as cargas e descargas. Numa abordagem comparativa entre os casos portugueses e ingleses, apresenta-se um modelo de análise sobre a evolução das estruturas portuárias bem como o modo como o estado de preservação destes elementos na paisagem e quais as suas maiores ameaças.

Afiliação e contacto: CHAM (Centro do Humanidades na Nova FCSH e Universidade dos Açores); Cátedra UNESCO - Património Cultural dos Oceanos | catarinagarcia@fcsh.unl.pt



Orador: Andreia Romão
Título: "Água & Sal, considerações sobre a preservação do património arqueológico subaquático"
Resumo: Tanto quanto possível, as diretrizes internacionais e nacionais preconizam a preservação do património cultural subaquático in situ. Mas quais as avaliações fundamentais para a implementação de ações de conservação e quais os critérios de análise? Qual a importância do meio e a variedade de escalas, do naufrágio completo até à escala das pequenas ocorrências patrimoniais. Preservar monitorizando, quais os elementos que podem ter maior impacto ao nível da conservação? E depois dos dados?
Afiliação e contacto: Neptune Search - Associação de Investigação e Defesa do Património Náutico e Subaquático | andreia.romao76@gmail.com



Orador: Vasıf Şahoğlu
Título: Management, investigation and enhancement of underwater cultural heritage in port and anchorage areas
Resumo: Liman Tepe is a coastal settlement situated on a small promontory located in Iskele district of Urla in İzmir, Türkiye. The site was continuously inhabited at least from the 5th Millennium BC onwards and continued into the Classical periods as the ancient city of Klazomenai. Archaeological investigations have proven the settlement to be an international maritime hub in all times. Ankara University excavations on land and underwater and collaborative offshore marine geoarchaeological investigations with McMaster University at Liman Tepe, revealed important clues regarding the submerged maritime landscape of this site. Excavation and investigation of two seperate submerged harbour features dating to the Archaic / Hellenistic and Roman periods respectively, along with a submerged causeway which is believed to have been built during the time of Alexander have been continuing in the last decades. Investigation of pale-shorelines and submerged features around Liman Tepe / Klazomenai has widened up our understanding and perspective of this ancient coastal settlement enormously.
Afiliação e contacto: Ankara University | vsahoglu@gmail.com



Orador: Sónia Bombico (com Miguel Martins, Alexandre Monteiro, Filipe Castro e Maria João Santos)
Título: "Um Mergulho na História na Baía de Sines: os trabalhos arqueológicos subaquáticos de 2022"
Resumo: A ampla baía protegida de Sines foi abrigo para embarcações, pelo menos desde a época romana. Ainda que desprovida de estruturas portuárias adequadas, quase até à época contemporânea, a baía serviu de porto à vila de Sines ao longo dos séculos. No seu fundo jazem vestígios de diferentes épocas, testemunhos diretos da atividade humana. Por seu turno, a Ilha do Pessegueiro, localizada a sul de Sines, foi um enclave costeiro importante desde a Antiguidade, como revelam os vestígios da ocupação romana da ilha e a contínua utilização da área de fundeadouro em frente à ilha ao longo dos séculos seguintes.

Os primeiros trabalhos arqueológicos realizados em Sines, no âmbito do projeto Um Mergulho na História, ocorreram na primavera e verão de 2022, na baía de Sines e na área de fundeadouro da Ilha do Pessegueiro. Nesta comunicação apresentam-se os resultados dos trabalhos preliminares de localização e registo de dois núcleos de achados, localizados no interior da baía de Sines, correspondentes a prováveis naufrágios de época Moderna e/ou Contemporânea; assim como os resultados obtidos no âmbito da prospecção realizada ao largo da Ilha do Pessegueiro.
Afiliação e contacto: CIDEHUS, Universidade de Évora | sbombico@uevora.pt



Orador: Felipe Cerezo
Título: Harbour archaeology from a nautical and underwater archaeology perspective, the case of Algeciras Bay and Cartagena (Spain)
Resumo: Research on port areas is usually carried out from a perspective centred on economic aspects, port use structures or maritime traffic and connectivity.

We propose a study that, without forgetting the previous aspects, promotes the research and analysis of these spaces from their nautical functionality and from the underwater archaeological record. That is, from the underwater archaeological contexts of anchorages, where the heterogeneity of material and its diachrony allow us to approach problems such as daily life on an anchored vessel, the type of vessels or even, more reliably, the type of maritime traffic. The nautical aspects are also analysed from the perspective of the Maritime Cultural Landscapes, seeing the land from the sea and understanding the space of the ports as an area where the vessels developed their activity, subject to nautical or spatial conditioning factors.
We will present here some studies carried out in the port of Algeciras and in the ancient ports of Carthage Nova, where the application of this methodology is yielding new data for maritime history. 

Afiliação e contacto: Coordinator of the Master in Nautical and Underwater Archaeology at the University of Cadiz | felipe.cerezo@uca.es