O Tejo A - a nau São Francisco Xavier
A história de uma descoberta

A 18 de Outubro de 2017 dois mariscadores de Setúbal, Pedro Patacas e Sandro Pinto, localizaram no estuário do rio Tejo dois complexos de achados submersos, correspondentes a dois contextos arqueológicos coerentes, a que se convencionou chamar Tejo A e Tejo B.

Dessas suas descobertas, nos termos da legislação em vigor, os dois achadores elaboraram Auto de Achado Fortuito.

Esse documento levou anexado um parecer técnico-científico, da autoria do signatário, Alexandre Monteiro, arqueólogo náutico e subaquático, parecer esse que concluía pela excepcional importância dos achados e da urgência no seu estudo preliminar para fins de investigação e preservação patrimonial.

Com a entrega desse auto, a Direcção-Geral do Património Cultural estava legalmente obrigada a abrir um procedimento de inventariação, tendo em vista a instrução do respectivo processo de classificação, procedimento esse que deveria estar concluído no prazo máximo de 60 dias. 

Dez meses decorridos após o término desse prazo, o estado em que se encontra esse procedimento é ainda desconhecido.

Desde então, e até ao dia 28 de Setembro de 2018, não mais os achadores mergulharam na zona, aguardando o despacho da tutela que determinasse as acções a desenvolver no sentido de se proteger e estudar aqueles dois sítios.

Entretanto, via imprensa e redes sociais, achadores e signatário souberam que, a 3 de Setembro de 2018, uma equipa do ProCASC teria descoberto "junto ao Forte de S. Lourenço da Cabeça Seca (Bugio), uma nau da Carreira da Índia naufragada, muito provavelmente entre 1573 e 1619".

A "nova descoberta" mais não é do que o sítio já conhecido Tejo A.

O Tejo A corresponde aos destroços do naufrágio da nau portuguesa São Francisco Xavier, perdida a 23 de Outubro de 1625 quando regressava da Índia, nos baixios da Cabeça Seca.

O documento acima, que podem descarregar, elenca o fio do tempo deste processo e caracteriza documentalmente a perda daquela nau da Carreira da Índia na entrada da barra de Lisboa.

Abaixo, o vídeo feito pelos achadores a 28 de Setembro deste ano.

04/11/2018