O afundamento do vapor Ares no porto de Lisboa (1931).

26-08-2018

O Ares era um cargueiro holandês de 3980 toneladas construído em 1921 pelos estaleiros Werf Conrad N. V., de Haarlem, para a companhia Koninklijke Nederlandsche Stoomboot Maatschappij (KNSM), de Amesterdão.

Em Março de 1931, o Ares partiu de Valparaiso no Chile, para Roterdão, com escalas em Curaçao e Lisboa.

Consignado à firma Wise & Companhia, trazia nos porões essencialmente o famoso "Nitrato do Chile" - o nitrato de sódio utilizado no fabrico de adubos para a agricultura e que hoje tantas dores de cabeça dá às polícias pela sua utilização por terroristas no fabrico artesanal de explosivos.

A bordo, seguiam 34 tripulantes e 13 passageiros embarcados em Curaçao e destinados à Holanda, passageiros entre os quais se contavam 4 mulheres e três crianças.

No dia 28 de Abril, quando o Ares estava já atracado à Rocha do Conde de Óbidos, pelas 15:30 da tarde deflagrou um violento incêndio no porão da coberta nº 3, propagando-se as chamas a todo o navio com extraordinária rapidez.

Tripulação e passageiros rapidamente evacuaram o navio, deixando bagagens e haveres para trás.

Acudiu prontamente ao sinistro Manuel Marques, mestre do Gasolina Almada que, cortando à machadada os cabos de atracação do Ares, permitiu que este se pudesse isolar dos demais navios atracados, nomeadamente do paquete Lobito ao qual já o fogo se tinha transmitido, tal como a uns vagões que estavam perto, carregados de café.

Enquanto de bordo do Ares se ouviam várias explosões, compareceram também na Rocha do Conde de Óbidos bombeiros e material de sete quartéis: tudo debalde, o incêndio estava incontrolável.

Quatro rebocadores - os Cabos Raso, Roca, Espichel e Sardão, escoltados por outro rebocador, o Sado - levam a pira que agora era o Ares até à zona do mar da Palha, entre o Barreiro e a Cova da Piedade.

O navio holandês arde furiosamente a noite toda, num espectáculo dantesco e gratuito que atrai milhares de curiosos aos pontos altos de Almada e Lisboa e às duas margens do rio.

Na manhã do dia 29 de Abril, as tripulações dos rebocadores Patrão Lopes, Cabo da Roca e Cabo Sardão batalham ainda para extinguir incêndio mas, o calor, que fizera dilatar as chapas do costado, provoca várias fissuras no casco, junto aos porões 4 e 5.

O Ares, ainda a arder, afunda-se pela popa, ficando apenas com parte da proa e da mastreação fora de água.

Iniciam-se então os trabalhos de salvamento da carga - pelo menos daquela que escapou primeiro ao fogo e depois à submersão no rio Tejo.

O navio? Esse ficou lá no rio. Até hoje

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